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Regulação de pH: Quando e como usar pH Up e pH Down

Regulação de pH: Quando e como usar pH Up e pH Down

Se já mediste o pH da tua solução nutritiva e viste o número a fugir do intervalo ideal, sabes que o passo seguinte é corrigi-lo — mas é precisamente aqui que muitos cultivadores hesitam. Que produto usar? Quanto adicionar? Em que ordem, antes ou depois de misturares os fertilizantes? E o que acontece se exageras na dose e o pH dispara para o lado errado?

Este artigo foca-se exclusivamente nos produtos de correcção — pH Up e pH Down — e em como usá-los correctamente no dia-a-dia do cultivo. Não é um guia sobre medidores ou canetas de pH (esse tema já está coberto noutro artigo do blogue); aqui o foco é a garrafa que tens nas mãos depois de fazeres a medição: o que contém, como se aplica, que quantidades são normais e como manuseá-la em segurança. Vamos também perceber porque a ordem em que fazes as coisas — misturar nutrientes primeiro, ajustar pH depois — não é um detalhe menor, mas sim a diferença entre uma solução estável e uma correcção que se desfaz sozinha minutos depois.

Este é um artigo de cultura e hobby, focado em jardinagem e cultivo doméstico recreativo — não contém qualquer indicação de uso terapêutico ou de saúde.

O que são produtos pH Up e pH Down?

Os produtos pH Up e pH Down são soluções concentradas, vendidas em formato líquido (ou, mais raramente, em pó), desenhadas para uma única função: alterar o pH da água ou da solução nutritiva até um valor-alvo, de forma rápida, previsível e repetível.

O pH Up (também identificado nas embalagens como “pH+”, consoante a marca) é uma solução alcalina, normalmente à base de hidróxido de potássio (KOH). A escolha do potássio como base não é acaso: ao contrário de outras bases mais agressivas, o hidróxido de potássio introduz na solução um elemento — o potássio — que a própria planta já consome como macronutriente, pelo que a pequena quantidade adicionada durante a correcção de pH não introduz um “contaminante” indesejado, apenas um ligeiro acréscimo de um nutriente que já fazia parte da receita.

O pH Down (ou “pH-“) é o produto inverso: uma solução ácida que reduz o pH quando este está demasiado elevado. As formulações mais comuns no mercado baseiam-se em ácido fosfórico ou em ácido cítrico. O ácido fosfórico é extremamente eficaz e barato de produzir, mas tem a desvantagem de introduzir fósforo na solução — o que normalmente não é problema (o fósforo é um macronutriente desejado), excepto se já estiveres a trabalhar perto do limite superior de EC recomendado, caso em que esse fósforo extra pode empurrar-te ligeiramente acima do alvo. O ácido cítrico, mais usado em linhas orgânicas, tem a vantagem de ser mais suave e biodegradável, mas tende a degradar-se mais depressa em solução, exigindo correcções ligeiramente mais frequentes ao longo dos dias seguintes.

Ambos os produtos existem tipicamente em duas concentrações: uma versão “normal”, pensada para uso doméstico em pequenos volumes, e uma versão mais concentrada (por vezes identificada como “hard” ou de uso profissional), pensada para grandes reservatórios onde pequenas quantidades de produto normal exigiriam demasiadas gotas para fazer efeito perceptível. Se cultivas num sistema pequeno — um ou dois vasos, um reservatório de 10 a 20 litros — a versão normal chega perfeitamente e dá-te mais margem de precisão, porque cada gota altera o pH de forma mais gradual.

Vale a pena reter uma distinção simples desde já: pH Up e pH Down não são fertilizantes. Não alimentam a planta, não substituem nenhum nutriente na tabela de doses do fabricante, e a quantidade que deves usar não tem qualquer relação com o tamanho da planta ou a fase de crescimento — depende apenas do desvio entre o pH que mediste e o pH-alvo que pretendes atingir.

Porque é que a correcção de pH não pode ser a primeira etapa?

Um dos erros mais comuns entre quem começa a trabalhar com estes produtos é ajustar o pH da água antes de dissolver os fertilizantes — por parecer mais lógico começar com a água “limpa” e só depois adicionar tudo o resto. Na prática, isto raramente funciona, e a razão é puramente química.

Os fertilizantes concentrados que dissolves na água — sejam eles de base mineral ou organo-mineral — são, eles próprios, compostos com propriedades ácidas ou alcalinas. Quando adicionas o fertilizante à água já ajustada, estás a introduzir uma nova carga química que desloca o pH que tinhas acabado de corrigir, muitas vezes de forma significativa. O resultado é que o valor que mediste e corrigiste na água pura deixa de ter qualquer relação com o pH real da solução final, depois de misturares tudo — e acabas por ter de repetir todo o processo de correcção, agora sobre uma solução já com fertilizante dissolvido, o que introduz uma variável extra: alguns componentes dos fertilizantes reagem de forma diferente consoante a ordem em que os ácidos ou bases entram em contacto com eles.

Há ainda uma segunda razão prática, menos falada mas igualmente importante: alguns nutrientes, sobretudo os que contêm cálcio e magnésio em forma mais concentrada, podem precipitar (formar sedimentos insolúveis) se entrarem em contacto directo com pH muito alto ou muito baixo antes de estarem devidamente diluídos e misturados com o resto da fórmula. Corrigir o pH cedo demais, com a solução ainda incompleta, aumenta o risco de criares localmente essas condições extremas, mesmo que o objectivo final seja um pH perfeitamente equilibrado.

A conclusão prática é simples e vale a pena memorizá-la como regra fixa: primeiro dissolve-se toda a fórmula de fertilizantes e aditivos na água, mexendo bem até estar homogénea; só depois se mede o pH da solução completa; só depois se corrige, se necessário, com pH Up ou pH Down. Esta ordem elimina praticamente todos os problemas de “o pH não pára quieto” que tantos cultivadores relatam nas primeiras experiências.

Qual a ordem correcta para preparar a solução nutritiva?

Detalhando a sequência acima num processo passo a passo, a preparação correcta de uma solução nutritiva segue esta ordem:

Primeiro, enche o reservatório ou o regador com a quantidade de água que vais usar, à temperatura ambiente — água muito fria ou muito quente altera a leitura de pH e dificulta a dissolução completa dos fertilizantes. Se a tua água de origem tem um pH ou uma dureza muito fora do normal (por exemplo, água muito calcária), é útil conheceres esse valor de base, mas ainda não é o momento de o corrigires.

Segundo, adiciona os fertilizantes e aditivos pela ordem recomendada pelo fabricante — normalmente do produto de maior volume de aplicação para o menor, e com os suplementos de Cal-Mag ou estimuladores adicionados antes dos correctores finais, se a tabela de doses assim o indicar. Mexe bem entre cada adição, garantindo que cada produto está completamente dissolvido antes de acrescentares o seguinte.

Terceiro, deixa a solução repousar um ou dois minutos e mede a EC (condutividade eléctrica) para confirmares que a concentração total de sais está dentro do intervalo que pretendias para aquela fase do ciclo. Este é também o momento de confirmares visualmente que não há sedimentos ou precipitados no fundo do reservatório — sinal de que algo na mistura não dissolveu correctamente.

Quarto, só agora medes o pH da solução completa com o medidor calibrado. Se o valor já estiver dentro do intervalo-alvo (tipicamente entre 5,5 e 6,5 em fibra de coco ou hidroponia, e entre 6,0 e 7,0 em substratos de terra), não precisas de adicionar pH Up nem pH Down — a correcção só se faz quando é mesmo necessária, nunca por rotina.

Quinto, se o pH estiver fora do intervalo, aplica o produto de correcção adequado em pequenos incrementos, mexendo e voltando a medir entre cada adição, até atingires o valor pretendido. Esta fase de ajuste fino é explicada em detalhe na secção seguinte.

Seguir esta sequência de forma consistente, rega após rega, é provavelmente o hábito isolado que mais reduz o tempo gasto a “perseguir” o pH e mais aumenta a estabilidade da solução ao longo dos dias seguintes, especialmente em sistemas com reservatório e recirculação.

Como aplicar pH Up ou pH Down passo a passo?

A técnica de aplicação é simples, mas a disciplina de fazê-la em pequenos passos é o que separa uma correcção precisa de uma sobre-correcção frustrante.

Começa por identificar claramente a direcção do ajuste: se o pH medido está abaixo do intervalo-alvo, precisas de pH Up para o subir; se está acima, precisas de pH Down para o descer. Parece óbvio, mas é um erro que acontece com alguma frequência quando se está cansado ou a trabalhar depressa — confirma sempre o número no medidor antes de tocares na garrafa certa.

Com o reservatório ou balde já com a solução de nutrientes completa e homogénea, adiciona o produto de correcção em pequenas quantidades — normalmente gota a gota, usando a própria pipeta ou conta-gotas que vem incluído na embalagem, ou uma seringa de precisão para volumes maiores. Nunca deites o produto de forma contínua a “olho”: mesmo que o objectivo pareça estar longe, é sempre mais seguro subestimar a quantidade inicial e ir corrigindo por etapas do que arriscar passar do valor pretendido.

Depois de cada adição, mexe bem a solução — um movimento circular suave, durante uns 10 a 15 segundos, é suficiente para homogeneizar sem criar demasiada espuma ou oxigenação excessiva. É fundamental esperar cerca de 30 a 60 segundos depois de mexer antes de voltares a medir, porque o pH Up e o pH Down não se dispersam instantaneamente por toda a solução — uma leitura feita demasiado depressa pode mostrar-te um valor que ainda não reflecte a mistura completa, levando-te a adicionar mais produto do que era necessário.

Repete o ciclo — adicionar uma pequena quantidade, mexer, esperar, medir — até o valor no medidor estabilizar dentro do intervalo pretendido. Nas primeiras experiências, este processo pode parecer lento, mas à medida que ganhas sensibilidade para a resposta do teu volume de água específico a X gotas de produto, o processo torna-se rápido e quase automático — a maioria dos cultivadores experientes consegue afinar o pH de um reservatório doméstico em menos de dois minutos.

Um detalhe técnico que vale a pena teres em conta: o pH de uma solução com fertilizantes dissolvidos tende a “derivar” ligeiramente nas primeiras horas depois da mistura, à medida que as reacções químicas entre os diferentes componentes se estabilizam. É normal e esperado voltares a medir passadas algumas horas (ou no dia seguinte, se preparas a solução com antecedência) e encontrares um valor ligeiramente diferente do que ajustaste inicialmente — nesse caso, faz um pequeno ajuste de confirmação antes de regares, em vez de assumires automaticamente que a leitura anterior continua válida.

Que quantidades típicas devo usar sem sobre-corrigir?

Não existe uma quantidade fixa universal de pH Up ou pH Down, porque a quantidade necessária depende de três variáveis: o volume total de solução, o desvio entre o pH actual e o pH-alvo, e a chamada capacidade tampão da água — ou seja, quanta resistência a água oferece à mudança de pH, que varia consoante a dureza e a composição mineral da água de origem.

Ainda assim, como referência de partida para um cultivador doméstico com um reservatório típico de 10 a 20 litros e água de dureza moderada, uma correcção de meio a um ponto de pH (por exemplo, de 7,0 para 6,2) costuma exigir algo entre 0,5 e 2 mililitros de produto concentrado — o equivalente a poucas dezenas de gotas. Para volumes maiores, como reservatórios de 50 ou 100 litros usados em setups mais avançados, as quantidades escalam proporcionalmente, mas nunca de forma perfeitamente linear — por isso a recomendação de “adicionar, mexer, medir, repetir” continua a ser mais fiável do que qualquer tabela de conversão fixa.

O risco de sobre-correcção é real e mais frequente do que se imagina, sobretudo quando se tenta “acelerar” o processo adicionando uma quantidade maior de produto de uma só vez, na expectativa de poupar tempo. O problema é que o pH não responde de forma linear à quantidade de ácido ou base adicionada — perto do ponto neutro, pequenas quantidades alteram o valor de forma gradual, mas à medida que te aproximas dos extremos da escala, a mesma quantidade de produto pode provocar saltos muito maiores. Isto significa que é fácil, com uma dose demasiado generosa, passares de um pH ligeiramente alto directamente para um pH demasiado baixo, sem nunca passares pelo valor intermédio que pretendias.

Se isto acontecer — se sobre-corrigires e passares do lado oposto do intervalo-alvo — a solução mais simples costuma ser adicionar o produto inverso em quantidades ainda mais pequenas do que as que usaste inicialmente, e voltar a medir com mais frequência. Numa situação de sobre-correcção severa, em que o pH ficou muito fora do intervalo seguro (por exemplo, abaixo de 4,5 ou acima de 8,0), pode compensar mais descartar a solução e recomeçar do zero do que tentar “salvar” uma mistura já muito desequilibrada quimicamente — sobretudo porque correcções sucessivas de ida e volta tendem a aumentar a concentração total de sais na solução (a EC), o que por si só pode criar um novo problema de stress salino para a planta.

O que acontece se sobre-corrigires o pH?

Para além do risco de teres de repetir todo o processo de mistura, sobre-corrigir o pH tem consequências directas na planta se a solução chegar a ser aplicada nesse estado. Um pH demasiado baixo (muito ácido) na água de rega pode causar stress radicular imediato, com sintomas que aparecem tipicamente em 24 a 48 horas — folhas moles mesmo com substrato húmido, crescimento visivelmente parado, e nos casos mais extremos, sinais de queimadura química nas raízes mais finas e superficiais, que são as mais sensíveis a variações bruscas.

Um pH demasiado alto (muito alcalino) tem um efeito menos imediato mas igualmente prejudicial a médio prazo: bloqueia progressivamente a absorção de vários micronutrientes, sobretudo ferro e manganês, levando a sintomas de carência que só aparecem passados vários dias — folhas novas com um padrão de clorose (amarelecimento) entre as nervuras, mesmo que a fórmula de fertilizante aplicada contivesse esses elementos em quantidade suficiente.

A boa notícia é que, na esmagadora maioria dos casos em que a correcção de pH corre mal, o problema fica confinado ao balde de mistura — se detectares o desvio antes de regares, o custo é apenas o tempo perdido e, eventualmente, o desperdício de alguma solução que decidas descartar. É por isso que vale sempre a pena confirmar o pH final da solução mesmo depois de a considerares “pronta”, em vez de assumires que o ajuste inicial foi suficiente — um segundo controlo de qualidade que demora menos de um minuto e evita disgostos maiores.

Que produtos pH Up e pH Down existem no catálogo?

O catálogo de Regulação de pH reúne referências de várias marcas de referência em nutrição de cultivo, cada uma com ligeiras diferenças de formulação, concentração e formato de embalagem.

Da linha Terra Aquatica (GHE), encontras tanto o T.A. pH Up como o T.A. pH Down, dois produtos clássicos e amplamente usados, disponíveis em vários formatos de volume consoante a dimensão do teu setup.

Da BioBizz, há o BioBizz pH+ e o BioBizz pH-, formulações que se integram bem com o resto da linha orgânica da marca, sendo uma escolha coerente para quem já usa outros produtos BioBizz na fertilização.

A Bio Nova disponibiliza igualmente o par completo — Bio Nova pH+ e Bio Nova pH Down — em várias gamas de volume, incluindo opções de maior capacidade para quem gere reservatórios de grande dimensão.

Por fim, a Advanced Hydroponics of Holland tem uma abordagem ligeiramente diferente das restantes marcas: em vez de um único produto “pH+” genérico, oferece versões específicas por fase do ciclo — pH Crescimento e pH Floração — desenhadas para se ajustarem melhor ao perfil nutricional específico de cada etapa.

Na prática, todos estes produtos cumprem a mesma função técnica, e a escolha entre marcas costuma resumir-se a três critérios: coerência com a linha de fertilizantes que já usas (evitando misturar demasiadas marcas diferentes sem necessidade), o formato de volume mais adequado ao teu reservatório, e preferência pessoal quanto à formulação (mineral versus orgânica). Se tiveres dúvidas sobre qual combinação faz mais sentido para o teu setup, a equipa da loja está disponível através da página de contacto para esclarecer.

Como manusear estes produtos com segurança?

Tanto o pH Up como o pH Down são produtos químicos concentrados — uma base forte e um ácido, respectivamente — e merecem ser tratados com o mesmo respeito que darias a qualquer produto de limpeza ou jardinagem concentrado que tenhas em casa. Não são substâncias perigosas se manuseadas correctamente, mas o contacto directo com a pele, olhos ou vias respiratórias, sobretudo na forma concentrada (antes de diluídos em água), pode causar irritação ou queimaduras químicas.

Antes de tudo, lê sempre o rótulo e a ficha de dados de segurança do produto específico que compraste — cada formulação (mineral versus orgânica, ácido fosfórico versus ácido cítrico) tem recomendações ligeiramente diferentes, e é essa informação, não uma regra geral, que deve orientar o teu manuseamento.

Usa luvas ao manusear o produto concentrado, sobretudo se tiveres a pele sensível ou se fores aplicar quantidades maiores num reservatório grande. Evita o contacto com os olhos — se estiveres a trabalhar com o produto perto do rosto (por exemplo, ao verter de uma garrafa para um conta-gotas), considera usar óculos de protecção, sobretudo com o pH Down, cujo vapor ácido pode ser irritante em espaços fechados e mal ventilados.

Trabalha sempre num espaço com boa ventilação. Se derramares produto concentrado numa superfície, limpa imediatamente com água abundante — nunca deixes resíduos secarem numa bancada ou no chão da tenda de cultivo, onde podem entrar em contacto acidental com a pele mais tarde ou reagir com outros produtos guardados por perto.

Nunca misturas directamente pH Up com pH Down concentrados entre si, fora do contexto de uma solução já diluída em água — misturar um ácido forte com uma base forte em estado concentrado pode gerar uma reacção exotérmica (com libertação de calor) e, no caso de alguns produtos, libertação de vapores. A correcção de pH deve ser sempre feita produto a produto, dentro da solução aquosa já diluída, nunca por adição directa de um concentrado sobre o outro.

Por fim, mantém estes produtos, tal como qualquer fertilizante ou aditivo de cultivo, fora do alcance de crianças e animais de estimação, e nunca os transfiras para embalagens sem rótulo (como garrafas de água) — a identificação clara evita confusões perigosas, sobretudo em casas com mais do que uma pessoa a lidar com o material de cultivo.

Como armazenar corretamente pH Up e pH Down?

O armazenamento correcto prolonga a validade destes produtos e evita surpresas desagradáveis, como concentrações que se alteram ao longo do tempo por exposição a condições inadequadas.

Guarda ambas as garrafas num local fresco, seco e ao abrigo de luz solar directa — o calor e a luz aceleram a degradação de alguns compostos, sobretudo nas formulações orgânicas à base de ácido cítrico, que são mais sensíveis do que as versões minerais à base de ácido fosfórico ou hidróxido de potássio. Uma prateleira dentro de um armário de cultivo, longe das luzes de crescimento e de fontes de calor como reflectores ou ballasts, costuma ser um bom local.

Fecha sempre bem a tampa depois de cada utilização. Para além de evitar derrames acidentais, um fecho apertado reduz a evaporação e a entrada de ar, que pode alterar ligeiramente a concentração do produto ao longo de muitos meses de armazenamento.

Evita temperaturas extremas, tanto de frio como de calor — a maioria destes produtos mantém-se estável numa gama de temperatura ambiente normal (entre 5 e 30 graus), mas exposição prolongada a temperaturas muito baixas pode, nalgumas formulações, provocar cristalização parcial de sais dissolvidos, o que altera a concentração efectiva na próxima vez que usares o produto. Se isto acontecer, agita bem a garrafa antes de a usares e confirma sempre o resultado com uma medição de pH, em vez de assumires que a dose habitual continua a produzir o mesmo efeito.

Por fim, verifica periodicamente a data de validade indicada na embalagem — embora estes produtos tenham uma vida útil relativamente longa quando bem armazenados, o desempenho pode reduzir-se com o tempo, sobretudo nas versões orgânicas. Se notares que precisas de quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito de correcção que tinhas anteriormente, pode ser sinal de que a garrafa está a perder eficácia e vale a pena substituí-la.

Que erros comuns devo evitar na regulação de pH?

Reunindo tudo o que vimos até aqui, há um conjunto de erros que se repete com frequência entre cultivadores, sobretudo nas primeiras semanas de uso destes produtos, e que vale a pena teres presente como lista de verificação rápida.

O primeiro erro é corrigir o pH da água antes de dissolver os fertilizantes, um hábito que, como já explicámos, obriga quase sempre a repetir todo o processo depois de a solução estar completa. O segundo é adicionar demasiado produto de uma só vez, na tentativa de poupar tempo, o que aumenta significativamente o risco de sobre-correcção e obriga a correcções sucessivas de ida e volta. O terceiro é medir o pH imediatamente depois de mexer, sem dar tempo à solução para homogeneizar — o que produz leituras instáveis e decisões de correcção baseadas em números que ainda não representam a mistura real.

Um quarto erro comum é usar um medidor descalibrado ou com a sonda em mau estado — se o instrumento de medição não é fiável, toda a lógica de correcção construída em cima dele deixa de fazer sentido, por muito cuidadosa que seja a técnica de aplicação do pH Up ou pH Down. Um quinto erro, menos falado, é ignorar a deriva natural do pH ao longo das horas seguintes à mistura, assumindo que uma correcção feita de manhã continua válida à noite sem confirmação.

Por fim, um erro de gestão mais do que de técnica: guardar os produtos de correcção em condições inadequadas (calor, luz directa, tampa mal fechada) e depois estranhar que as quantidades habituais deixaram de produzir o efeito esperado. Evitar estes seis erros — mesmo sem qualquer sofisticação adicional de equipamento — já coloca a maioria dos cultivadores num patamar de consistência muito superior ao ponto de partida.

Se ainda tiveres dúvidas sobre qual produto de correcção escolher para o teu setup específico, ou quiseres trocar experiências com outros cultivadores sobre rotinas de mistura que resultam bem na prática, a Comunidade da Maria é um bom espaço para partilhar e aprender com quem já passou pelos mesmos ajustes de tentativa e erro.

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Perguntas frequentes

Posso usar pH Up e pH Down em qualquer substrato?

Sim, ambos os produtos funcionam da mesma forma independentemente do meio de cultivo — terra, fibra de coco ou hidroponia — porque a correcção acontece na solução líquida antes de esta ser aplicada. O que muda entre substratos é apenas o intervalo de pH-alvo: mais próximo de 6,0-7,0 em terra e ligeiramente mais ácido, entre 5,5 e 6,5, em fibra de coco e hidroponia.

Tenho de corrigir o pH em todas as regas?

Não necessariamente. Só precisas de adicionar pH Up ou pH Down quando a medição da solução completa mostrar um valor fora do intervalo-alvo. Se a tua água de origem e os fertilizantes que usas produzirem consistentemente um pH já dentro do intervalo correcto, podes poupar o produto de correcção nessas regas — mas continua sempre a medir, porque a água pode variar ligeiramente de dia para dia.

Que diferença existe entre pH Down à base de ácido fosfórico e ácido cítrico?

O ácido fosfórico é mais estável em solução e introduz fósforo, um macronutriente já desejado na fertilização, mas em doses muito altas pode empurrar a EC ligeiramente para cima. O ácido cítrico, mais comum em linhas orgânicas, é mais suave e biodegradável, mas degrada-se mais depressa, pelo que soluções corrigidas com este tipo de produto podem precisar de confirmação de pH mais frequente nos dias seguintes.

O que faço se não tiver pH Down e o pH estiver muito alto?

O mais seguro é aguardar até teres o produto correcto disponível, em vez de improvisares com substâncias caseiras não formuladas para este fim, cuja concentração e efeito real são difíceis de prever com precisão. Regar com um pH ligeiramente fora do intervalo ideal, ocasionalmente, não é catastrófico — o problema surge com desvios grandes ou mantidos durante várias regas seguidas.

Posso misturar pH Up e pH Down concentrados na mesma garrafa para poupar espaço?

Não. Misturar directamente os dois concentrados fora de uma solução aquosa diluída pode provocar uma reacção química com libertação de calor e, nalgumas formulações, vapores irritantes. Guarda sempre os dois produtos em garrafas separadas, bem identificadas e fechadas.

Quanto tempo dura uma garrafa de pH Up ou pH Down?

Depende muito da frequência de uso e do volume do teu reservatório, mas como referência, uma garrafa de uso doméstico (250 a 500 ml) usada em correcções regulares de um sistema pequeno costuma durar vários meses de cultivo, precisamente porque as quantidades por correcção são tipicamente pequenas — poucos mililitros de cada vez.

Preciso de medidor de pH para usar estes produtos correctamente?

Sim, de forma prática, sim — sem uma medição fiável não há forma de saberes quanto produto adicionar nem de confirmares que a correcção teve o efeito pretendido. Este artigo foca-se nos produtos de correcção em si; para escolheres e calibrares o teu medidor, consulta o artigo dedicado do blogue sobre medição de pH e EC no cultivo.

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